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domingo, 15 de julho de 2012

Pesquisadores da USP testam novo tratamento contra fobia social

Um novo tratamento contra fobia social está sendo testado há um mês por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). A terapia usa um programa de computador que mostra imagens em três dimensões que reproduzem situações sociais iguais às que causam desconforto ao paciente. A fobia social é um distúrbio que leva a pessoa a sofrer cada vez que precisa se submeter a situações de interação social ou que tenha que mostrar desempenho em alguma atividade e afeta 8% da população.

De acordo com psicóloga e pesquisadora do Hospital das Clínicas Cristiane Maluhy Gebara, responsável pelo projeto, na terapia, o paciente usa fones de ouvido e óculos especiais que o colocam “dentro” das situações exibidas como se ele realmente fizesse parte daquilo. São exibidas imagens de interação com desconhecidos, de participação em reuniões e até de situações em que é preciso falar a plateias. Com isso, é possível testar se o programa contribui para diminuir a reação de ansiedade dos que sofrem de fobia social.

“[A fobia social] é um transtorno de ansiedade em que as pessoas têm muito medo da avaliação negativa do outro, o que gera dificuldade de interação. Elas evitam situações em que tem que se expor e, quando as enfrentam, fazem isso com muito desconforto, com sofrimento", explica Cristiane. Segundo a psicóloga, entre os sintomas estão a taquicardia, a sudorese, o rubor nas faces. "É uma situação que incomoda muito, porque a pessoa imagina que quem está observando percebe e acaba se sentindo embaraçada e humilhada.”

Uma das técnicas de tratamento é a exposição do paciente à situação, o que pode ser feito ao vivo ou simplesmente imaginado. Com a técnica da exposição ao vivo, a melhora ocorre em 70% dos casos. “Com tal técnica, de forma gradual e repetida, colocamos a pessoa nas cenas que causam desconforto da que menos incomoda para a que mais causa incômodo”, informa a pesquisadora.

Ela ressalta que, com a tecnologia e a possibilidade do uso da realidade virtual, a técnica que está sendo testada no Hospital das Clínicas permite a exposição do paciente a situações difíceis, mas de forma menos agressiva. “Alguns estudos feitos fora do país mostram que o tempo de exposição fica menor e, como isso é feito no consultório, o tempo de tratamento pode ser encurtado e é mais seguro, porque a pessoa sente a ansiedade praticamente da mesma forma, mesmo estando em um ambiente mais privado.”

Nos testes estão previstas 12 sessões, mas o tempo de tratamento varia de um paciente para outro, podendo chegar a até seis meses. “Algumas pessoas não terão tanta dificuldade ao olhar uma cena, então podem terminar o tratamento antes”, diz Cristiane. As causas da fobia social podem ser genéticas ou adquiridas por aprendizagem ou educação. “A pessoa aprende ou copia comportamentos dos pais e aí pode desenvolver fobia social mais para frente. O transtorno se inicia quando criança e passa para a adolescência”, completa a psicóloga.

Se não for tratada devidamente, a fobia social pode acarretar prejuízos de todos os tipos na vida do indivíduo. Segundo Cristiane, há casos de pessoas que deixam de aceitar cargos que exijam mais exposição, com muita participação em reuniões, por exemplo. Na vida pessoal, também podem ocorrer prejuízos, pois, muitas vezes, o paciente deixa de ter uma vida normal por causa da dificuldade para se relacionar e até para paquerar, afirma a pesquisadora.

O diagnóstico é feito com base na análise de alguns critérios específicos. Com o tratamento, o nível de ansiedade chega a cair muito e a pessoa passa a viver normalmente. O tratamento ainda está em fase de pesquisa e não há previsão de quando a técnica será implantada nas terapias cotidianas.

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Descoberta põe em dúvida teoria sobre a origem do homem


A teoria da evolução humana aceita até agora sempre disse que havia uma clara sucessão do homo habilis(cujos primeiros fósseis foram descobertos na Tanzânia em 1964 ),pelo homo erectus,e que este teria originado o homo sapiens,a nossa espécie atual.No entanto,relato do Dr.Fred Spoor da University College de Londres e sua equipe,publicado na revista Nature ( 448, 688-691)desta semana,responsáveis pela a descoberta na margem leste do lago Turkana, Quênia, em 2000 de uma mandíbula do Homo habilis, com 1,44 milhões de anos, e de um crânio do Homo erectus com 1,55 milhões de anos,parece eliminar esta possibilidade.Constatou-se que as espécies coexistiram por um período de pelo menos 500.000 anos na região do vale.

Acredita-se que as duas espécies viveram lado a lado,da mesma forma que os chimpanzés e gorilas coexistem,hoje,nas regiões centrais da África com hábitos e dietas diferentes.

¨O professor Meave Leakey, paleontologista e co-diretor do projeto de pesquisa,disse que a coexistência das espécies torna mais difícil a possibilidade de uma espécie ter surgido da outra.

Outros cientistas,porém,acreditam que não se deve descartar tão rapidamente a descendência entre as espécies.O Prof.Spoor afirmou que não seria impossível um grupo isolado do H.habilis ter evoluído para o H.erectus.Isto resolveria o problema da descendência e coexistência entre as espécies.Esta ,contudo,é uma hipótese mais complexa e a conclusão natural é a existência de um ancestral comum para as duas espécies,admite.

As dúvidas sobre a origem do homem tem crescido continuamente.Um teste de DNA realizado em 1997 por cientista alemães e americanos,contra toda a teoria aceita por décadas,levantou fortes dúvidas de que o homem de Neandertal seja nosso antepassado.



quinta-feira, 19 de julho de 2007

Nova teoria para o surgimento do universo descarta o Big Bang

O Dr. Martin Bojowald, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos acaba de apresentar uma teoria que simplesmente elimina a idéia do Big Bang: para ele, o que houve foi um Big Bounce, um Grande Salto. "Meu artigo introduz um novo modelo matemático que nós podemos usar para derivar novos detalhes acerca das propriedades de um estado quântico à medida em que ele viaja através do Big Bounce, que substitui a idéia clássica de um Big Bang como o início do nosso universo," diz ele.
A nova teoria também sugere que, embora seja possível descobrir muitas propriedades dos momentos iniciais do universo, haverá sempre uma incerteza sobre algumas dessas propriedades. Seus cálculos demonstram que existe uma espécie de "esquecimento cósmico", que resulta das extremas forças quânticas existentes durante o Big Bounce.
Big Bang absurdo
O conceito de um Big Bang nada tem de intuitivo. Como também parece ir contra todos os sentidos a idéia de uma velocidade constante e imutável da luz. Mas os físicos sabem que esse é o melhor modelo existente hoje e que esse modelo permitiu avanços científicos cuja comprovação independe da intuição ou da avaliação pelos sentidos. Eles sabem também que um modelo é menos do que uma teoria, que por sua vez é menos do que a realidade.
Einstein descreveu o Big Bang como uma "singularidade" - um termo do jargão científico para absurdo. Essa singularidade teria um volume zero com uma densidade infinita, contendo uma energia também infinita. Essa "sujeira varrida para debaixo do tapete" da Física reapareceu quando surgiu a Mecânica Quântica, que não existia nos tempos de Einstein. A Teoria da Relatividade é muito boa para as grandezas estelares, mas não consegue dar conta das grandezas atômicas - este é o reino da Mecânica Quântica.
Universo anterior
Estas duas teorias parecem irreconciliáveis, sendo a busca de uma forma de compatibilizá-las o maior desafio para os físicos da atualidade. No caso do Big Bang, quando utilizaram as equações da Teoria Quântica para estudar o nascimento do nosso universo, os cientistas descobriram que os resultados apontam para um "átomo primordial" cujo volume não é zero e cuja energia contida não é infinita. Sendo assim, é possível continuar os cálculos para antes da ocorrência do Big Bang. Ou seja, a teoria revela a existência de um universo anterior ao Big Bang, rompendo os limites que a grande explosão primordial representava para os físicos.
Ainda não existe uma nova teoria que possa unificar a Teoria Quântica e a Teoria da Relatividade. Mas existem teorias que se colocam como candidatas a esse posto. Uma das mais fortes candidatas é a Teoria da Gravidade Quântica em Circuito Fechado ("Loop Quantum Gravity"). Foi esta teoria que lançou pela primeira vez a idéia de um Grande Salto - um acontecimento cósmico que representa simultaneamente o fim de um universo e, partir de seus despojos, o nascimento de um novo, - apresentando uma descrição matemática que permite deduzir as propriedades de um universo anterior, cujo colapso fez surgir o nosso.
"A Teoria da Relatividade Geral de Einstein não inclui a física quântica com a qual você deve contar a fim de descrever as energias extremamente altas que dominaram nosso universo durante os primeiros momentos de sua evolução," explica o Dr. Bojowald.
Os fios quânticos do tecido do espaço-tempo
Essa é justamente a pretensão da Teoria da Gravidade Quântica em Circuito Fechado. Ela estabelece que o tecido do espaço-tempo tem uma geometria atômica construída com "fios" quânticos unidimensionais. As leis da física quântica, que dominam as condições extremas nos instantes imediatamente anteriores ao colapso do universo que precedeu o nosso, faz com que esse tecido de espaço-tempo seja violentamente rasgado. A gravidade então se torna fortemente repulsiva e aí se dá o Grande Salto. E nasce o nosso universo.
Nesse acontecimento dramático é possível tirar pelo menos duas conclusões importantes sobre esse universo anterior. A primeira é que ele apresentava um comportamento de contração, contrariamente ao que agora acontece com o nosso, que está em expansão. A segunda é que ele possuía uma geometria do espaço-tempo similar à apresentada pelo nosso universo.
Universos diferentes
O novo modelo matemático que Bojowald acaba de criar dá ferramentas para que se saiba mais a respeito desse universo anterior. Até agora a Teoria da Gravidade Quântica em Circuito Fechado contava apenas com método numéricos, que exigem sucessivas aproximações para se chegar às soluções. O novo modelo matemático resulta em soluções analíticas precisas por meio da solução de uma série de equações matemáticas. E tudo de maneira mais simples, porque o modelo agora é menor.

As equações diferenciais da gravitação quântica do modelo original exigiam sucessivos cálculos que incluíam pequenos incrementos de tempo. O modelo de Bojowald consiste em um modelo integrável, no qual se pode especificar um período cumulativo de tempo para comportar todas as pequenas mudanças incrementais.
As equações do novo modelo necessitam de parâmetros que descrevem o estado do nosso universo de forma precisa, o que significa que os cientistas podem usar o modelo para viajar matematicamente de volta no tempo, dando uma marcha-a-ré na evolução do universo e descobrindo como ele era em seus momentos iniciais. As equações também contêm alguns parâmetros "livres" que não são ainda conhecidos com precisão.
A nova teoria joga por terra um comportamento já levantado por outros cientistas: o de que o universo "renasceria" seguidas vezes, contraindo-se e renascendo sempre com as mesmas características. Pelo menos um dos parâmetros que se referem ao universo anterior não sobrevive à viagem através do Grande Salto - este é o "esquecimento cósmico" a que se refere o cientista. "A eterna recorrência de universos absolutamente idênticos parece ser uma impossibilidade devido à aparente existência de um esquecimento cósmico intrínseco," diz ele.